Sim, temos a
necessidade de mudar a estrutura de nossas escolas e de priorizar a educação em
nosso país, valorizar os professores e discutir o currículo, mas por que o que
o governo propôs parece uma coisa estranha?
A tão falada
Reforma do Ensino Médio proposta pelo governo não quebra a contradição
existente na educação brasileira, em que a escola pública é pensada para ser
pior do que a privada. Além disso, com o aumento da carga horária (tempo na
escola) de 800 para 1400, visando a implantação do período integral, os mais
atingidos serão os alunos mais pobres, pretos e pardos que têm de trabalhar e
estudar.
Propaganda não
é feita para mostrar a realidade e por isso mesmo foi interessante ver a propaganda
do governo (que dura em média um minuto) sobre a Reforma do Ensino Médio. Nela,
em uma sala de aula um jovem apresenta a “transformação do ensino médio” para
seus companheiros e todos curtem. Das
questões apresentadas na propaganda gostaríamos de comentar algumas:
- Segundo ela o Brasil seguiria
modelos mais modernos e de outros países (França, Coréia do Sul, Austrália,
Portugal e Inglaterra) que são vendidos como solução. Seriam eles os exemplos a
serem seguidos, mas se esqueceram de dizer que há toda a discussão, no Brasil, realizada
sobre essa mudança, feita pelos conselhos de educação municipais, estaduais,
etc e sempre levando em conta nas necessidades brasileiras. Nos parece que o
governo quer transplantar modelos de fora como se não tivéssemos nossas
próprias necessidades ou características.
- Passa-se a ideia de que o aluno
poderá escolher de acordo com sua vocação. Bem, duas coisas surgem aqui: a)
todos os alunos do ensino médio sabem suas vocações? O governo ofereceria
suporte e estrutura para isso? b) todas as escolas terão as 4 opções de
currículo (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas)?
Resposta para todas as perguntas: não! O próprio governo já assumiu que não
terá dinheiro para implantar as 4 opções em todas as escolas. Isso quer dizer
que aqui em Barra Mansa nem todos os alunos de uma escola pública continuarão
na mesma para terminar o ensino médio, corremos o risco de termos uma
concorrência enorme entre alunos para concorrer a determinada opção de formação
que poderá ser oferecida por apenas poucas escolas na cidade.
- Coloca-se que o ensino médio se
tornará mais atraente e a evasão (saída da escola entes de terminar os estudos)
diminuirá, mas quantos dos jovens trabalham e terão de optar entre o trabalho
ou o estudo? Qual será o impacto disso sobre a evasão principalmente se
analisarmos nossa situação econômica atual em que mais e mais pessoas procuram
emprego para sobreviver? Lembramos que 1 em cada 3 alunos do ensino médio
estudam à noite atualmente e o ministro da educação já se pronunciou contra o
ensino noturno.
- Convida a sociedade para o
diálogo mas centraliza o poder de decisão no Ministério da Educação. O governo não
dialogou com os alunos de escolas ocupadas, nem com os grêmios estudantis, nem
om os movimentos sociais, nem com os especialistas na área educacional, mesmo
assim abriu consulta no site do Ministério da Educação para que déssemos nossa
“opinião”. Dialogar com quem se a Reforma veio através de medida provisória e
sem o mínimo de debate com a sociedade?
- O governo não fala na
propaganda como investirá na educação integral e entra em contradição pois ao
aprovar a PEC 55 (chamada de controle de gastos) restringiu as verbas para
saúde e educação. Com uma mão se tira e com a outra se dá ou isso é uma forma
de se enganar os menos informados?
E para piorar: em matéria divulgada hoje pelo jornal Folha de S. Paulo é revelado que o governo pagou youtubers para fazerem elogios à reforma do Ensino Médio. A matéria completa você pode conferir clicando aqui.
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